ORAÇÃO DE PETIÇÃO

por Moises Franca

Se somos filhos de Deus e Ele sabe do que precisamos, porque temos que pedir? Deus pode ser manipulado através das nossas orações?

“A oração é um meio de nos levar à conformidade com a vontade de Deus, não um mantra mágico que assegura a vontade de Deus aos nossos desejos”, disse Hank Hanegraaff no livro “A Oração de Jesus”.

Creio que esta frase descreve a oração no seu significado genuíno. Um pensador brasileiro disse que “dizer que 90% dos brasileiros crêem em Deus é o mesmo que dizer: 90% dos brasileiros tentam manipular Deus para cumprir os seus desejos”. Quem disse isto foi Ruben Alves.

O professor Ruben, homem de mente brilhante, certamente tem razão quando coloca a questão no contexto dessa cultura do “me dá, me dá” evangélico, teologia da prosperidade e tal, mas me pareceu extremista quando generalizou.

Com todo respeito, creio que seria mais correto se afirmasse que uma grande parte dos que crêem em Deus possuem tal perfil, pois nem todo mundo ora pensando em manipular Deus. Há aqueles que aprenderam ou estão aprendendo a se submeter à vontade divina. Somando-se a isto há outro fator: do percentual dos que crêem em Deus, grande parte nem se quer ora. 

A frase de Hank Hanegraaff mostra que não podemos orar corretamente se aquilo que desejamos se opõe aos propósitos de Deus. É claro que a Bíblia relata casos em que a oração muda o rumo da vontade divina, como aconteceu com Ezequias.

Depois de uma profecia sobre sua morte o rei Ezequias, já adoecido, orou quebrantadamente, pedindo com insistência a Deus que não morresse e Ele lhe concedeu mais 15 anos de vida (II Reis 20).  Isto mostra que Deus cura quem quer, como quer e quando quer. A oração de Ezequias podia não ter sido respondida. Mas Deus quis responder.

A oração é sobretudo, uma manifestação de diálogo com Deus e através dela cultivamos relacionamento. Jesus sempre se retirava para falar com o Pai, não por  necessidade de pedir que sua vontade pessoal fosse cumprida, mas seu propósito era a relação de prazer pela intimidade. Pensando bem, eles tinham propósitos comuns.

Mas houve momento em que na sua humanidade fugiu à essa regra. No seu lamento de dor pediu que Deus afastasse dele o cálice que teria de beber. Mas se conformou dizendo:”…porém, que seja feita vossa vontade”.

Há interesses comuns entre nós e Deus. Aí é que deve residir as motivações das nossas orações! Que o Senhor nos ensine a  orar. Isto é Seu desejo! Que o Senhor nos leve à oração. Isto Ele anseia!  Quando nossos desejos se casam com os de Deus penso, baseado no que aprendi, que podemos afirmar ter havido a oração que Deus deseja ouvir!

                                            SEGUNDA PARTE

Gostaria de compartilhar com voces algo que debati em um grupo pequeno, do qual faço parte.

- Se somos filhos de Deus e Ele sabe do que precisamos, porque temos que pedir? Deus pode ser manipulado através das nossas orações, como disse Ruben Alvez?

Algumas destas respostas foram obtidas no debate:

1-      Devemos pedir porque Jesus ensinou que assim o façamos.  “Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Porque quem pede, recebe, e quem busca, acha; e quem bate, abrir-se-lhe-á.” Lucas 11:09 e 10. Só aí já teríamos resposta suficiente. Jesus falou, tá falado.

2-      Devemos pedir porque o ato de pedir não é um fim em si mesmo. É um meio através do qual estabelecemos relacionamento com Deus. (Imagine recebermos tudo de que precisamos sem pedirmos. Correríamos o sério risco de achar que tudo foi obra o acaso, sem a interferência sobrenatural de Deus. Neste caso, não estaríamos dando graças a Ele).

3-      Devemos pedir porque assim expressamos humildade e dependência dEle. Quem diz que não pede nada a Deus, e que só agradece, está querendo ser melhor que Jesus, pois sendo quem foi, Ele também pediu. Pediu no Getsêmani que o Pai o livrasse daquele cálice, como já foi mencionado, embora se conformasse com a Sua vontade; na oração sacerdotal pediu pelos discípulos que o Pai lhe deu e pelos que ainda viriam (neste caso, orou por nós); pediu por Pedro para que não perdesse sua fé na provação, e ensinou aos discípulos que pedissem.

4-      Devemos pedir porque Deus tem prazer em ouvir o que o nosso coração deseja, mesmo já sabendo; assim como um pai tem prazer em ouvir do filho o que ele quer,  mesmo já tendo noção do que ele precisa. Sendo que o filho deve também estar aberto a receber um NÃO do Pai, pois tal resposta pode redundar em algo que só lá na frente ele vai entender.

5-      Devemos pedir porque é pedindo que aprendemos a pedir. Se não pedimos da maneira certa, precisamos pedir a Deus que nos ensine a pedir certo. “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para gastardes em seus próprios deleites. (Tiago 4:3).

6-      Devemos pedir porque precisamos ter para dar. Só temos algo para oferecer ao outro porque já recebemos da parte de Deus, “o Pai das luzes, de quem vem toda boa dádiva e todo o dom perfeito”. (Tiago 1:17 ). Na oração do Pai nosso Jesus coloca o pronome no plural: “Pai nosso”, “pão nosso”, “perdoai nossas ofensas”, “venha a nós o Teu reino”, e por aí vai. A oração começa com louvor “…santificado seja teu nome”; e segue com pedidos sequenciais. Só no final volta à uma expressão de louvor: “…pois Teu é o reino e o poder, e a glória para sempre, amém!”

                        RESUMO

Devemos lembrar que pedir deve envolver os interesses divinos. Petição é apenas uma dentre muitas outras formas de oração. Que aquilo que pedimos alcance benefício para o próximo (a mãe, o pai, a esposa, os filhos, os vizinhos, a comunidade, o país…).

Penso ainda que nossos pedidos se tornam mais nobres na  medida em que busquemos os interesses do Reino: “Venha a nós o Teu reino e seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu…”; pois só a vinda do Reino e sua justiça em si já traz consigo a nossa maior e melhor bênção. Amém?

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