A VIDA ACIMA DE TUDO

Desde a Criação a vida humana tem tido a primazia sobre todas as coisas, inclusive sobre a ética e a moral. Claro que isto não significa que devamos  desmerecer a importância das duas, até porque a ética existe para preservar a vida, garantindo o bem-estar social; e a moral, para preservar os costumes de uma cultura, dando a noção de certo e errado, bem e mal, ainda que essas coisas sejam relativizadas por culturas e costumes.

Mas quando a vida corre o risco de ser aviltada, a ética e a moral precisam vir a reboque, independente de culturas, leis e costumes. Isto acontece muito quando ética e moral são particularizadas por homens de poder político e até mesmo por dogmáticos religiosos.

O empresário Oscar Schindler não teria salvo 1100 judeus do holocausto se colocasse a ética e a moral dos nazistas em primeiro plano. Ele forjou mão de obra desnecessária em sua empresa pra salvá-los das atrocidades da guerra, além de ter subornado soldados e oficiais do Reich para este mesmo fim. Para ele a ética seria salvar a vida das pessoas, ainda que fosse imoral para Hitler e as leis do pais. (Vejam o filme: “A Lista de Schindler”, de Spielberg).

A moral e a ética ficam também relegadas a segundo plano quando o Evangelho precisa ser pregado em circunstâncias desfavoráveis. O missionário “Irmão André” contrabandeou bíblias para evangelizar alguns povos em países comunistas. Para ele, ético seria priorizar a liberdade de escolha, dando às pessoas a chance de dizer sim ou não para o Evangelho, ainda que imoral para o governo, cujo ateísmo cerceava tal liberdade.

No campo religioso, Jesus deu exemplo disto quando evitou que aquela mulher adúltera fosse apedrejada. A moral religiosa perdeu para a piedade, manifestada em perdão e possibilidade de uma segunda chance, inclusive para uma outra mulher, a Samaritana, que já estava no seu 5° casamento. Foi assim também com Zaqueu, um famigerado corrupto, cobrador de impostos, que se arrependeu e seguiu Jesus com sinceridade de coração.

Como foi naquele tempo, ainda hoje a moral de muitos não dá margem para se crer na conversão dessas pessoas. Mas ao longo do tempo elas frutificaram e provaram genuína conversão; assim como Saulo, que era assassino de cristãos, se transformou em São Paulo! Com Jesus é diferente, pois Ele conhece o coração do homem. Vê o que está dentro, diferente de nós, que julga a aparência!

Por fim, Jesus soube ser ético e moral, sem ser moralista. Deu o exemplo maior e mais significativo de que a vida humana jamais deveria ser hostilizada ou suprimida por questões de moral religiosa e cultural, ou por éticas particulares. Soube como ninguém colocar as pessoas e as coisas em seus devidos lugares, sem desprezar o valor e a importância de nenhuma delas. A ética está a serviço da vida humana. A moral, a serviço dos costumes de uma cultura, que por sua vez, pode dignificar, como pode também danificar uma vida.

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